sábado, 8 de agosto de 2009
22
É como se eu derretesse internamente e toda a nova massa não conseguisse se posicionar com precisão. Doente, não só o corpo pois que além do constante enjoô e aceleramento cardíaco, eu me sinto insana. Obssessivamente em paranóia, vasculhando em becos uma maquinaria capaz de registrar os movimentos tão fugazes teus, eu só desentendo. Como assim? Isso é para fracos, e a minha arrogância me põe num pedestal de super-mulher que aprendeu muito em pouco. Meus olhos, os dois em par, negam-se a absorver os mil impactos. O trem apita ao longe, a panela de pressão estoura, e eu me amarrei aos trilhos. Então surge o breve arrependimento, já inútil. Sei dar bons nós. Eu era tudo que você precisa.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
21
Gastei muitas páginas do meu bloco e nada pareceu realmente transmitir o que eu sentia, as palavras não pareciam vomitadas como deveriam. Eu senti a necessidade de algo agressivo nessas linhas, embasadas na raiva que senti, esta mesma que ainda sinto pingando e deixando um rastro sujo não-condizente com a típica camuflagem que uso. E o algo forte que encontrei para expectorar minha avidez foi a sinceridade: eu te amei, sabia? Do jeito mais imaturo e despretensioso que alguém já fez, mas amei. Nem tão supérfluo do que eu imaginava, porém não posso dizer que tenho boas memórias. Ou posso, mas não são tão boas assim... Te faltou tamanha masculinidade, apesar dos traços robustos teus. Eu senti falta de ter um homem do meu lado, que pensasse e agisse como tal. Eu só via uma criança, insegura, pisando em seus próprios pés de forma patética. Enxergando-se como superior, dono de toda a razão, e sendo só mais um que daria com a cara no vidro. Nem sempre as barreiras são visíveis, meu caro. E quando penso em todas as vezes que você me acusou, me negligenciou, me julgou erroneamente, não consigo separar da memória cada dia em que eu me senti culpada e obscena, imoralizada pelo mais sem moral de todos os tempos. Me sinto enojada e ao mesmo tempo não seguro o riso ao te imaginar cheio da bossa, com outras, quando na realidade é tão impotente que não conseguiu fazer ninguém feliz, nem a você mesmo. Eu não consigo aceitar o tanto que demorei pra perceber o quanto é bom ter alguém em casa que se preocupe e te encha de cuidados, e não consigo enfiar na cabeça como eu pude me contentar com issozinho que você me ofereceu. Além de ser pouco, era uma merda. E hoje eu tenho tudo o que sempre quis, semi-utópicamente: um só e vários ao mesmo tempo, vivendo em perfeita harmonia. Meu ideal de open relationship estava aqui o tempo todo e precisei quebrar a cara 30 vezes (contadas) para enxergá-lo. Eu me sinto viva, renovada, me sinto limpa e linda, me sinto boa, me valorizo. No fundo, eu quase te devo um obrigada, por ter reaprendido a me amar. Eles têm um gosto muito mais doce, e eu já sei: Tempos bons estão por vir.
sábado, 16 de maio de 2009
20

Excepcional: Manhã e noite, gélidas. Bem do jeito que eu amo-odeio, todos os dias. Os preceitos a serem cumpridos mais as minhas guerrilhas pseudointernas, meus porres e gafes, meus amores incorretamente amados, e sem esquecer de somar os raros momentos de sobriedade: tudo isso quis botar num texto que fosse tão frio quanto você. Tão frio quanto eu me achei ser a vida toda... Eu nunca quis ser forte. É bom ser amparada, ter asas protetoras te cubrindo, ser frágil é tão cheio de simplicidade! Eu digo: alegre-se com seu pranto. Ele é uma dádiva. Chorar é tão maravilhoso! É banhar-se por dentro, é exorcizar seus demônios, é lindo e ameniza as dores. Eu tenho inveja quando vejo uma lágrima rolar do rosto de alguém, pois eu... eu não possuo esse dom. Eu me bloqueio, meu sistema de alarme tranca tudo, e por mais que doa, a água não escorre. Fica presa nos olhos implorando pra sair, mas fica. Eu queria ser uma cachoeira de sal aguado, fraquinha. Mas a vida quis diferente. Ela mandou eu sair na rua e apanhar até não aguentar mais. Depois disse para eu passar meses de ressaca e amadurecer até quase apodrecer. E tanto fortaleza virei, que os olhos desidrataram e eu aprendi a deixar partir as coisas que amo. Eu sou suficientemente sólida para isso. E nisso confundi o quesito sensação térmica das coisas, de mim. Minhas mãos podem ser frias mas por dentro eu fervo. Um bloco rijo de gelo quente, derretendo cada vez mais endurecido. Eu nunca quis ser forte.
sábado, 9 de maio de 2009
19
O clima não enregelou apenas as mãos, esfriei ainda que fervendo, alobotômica. O gosto de fruta inextinguivel se mixa furtivamente ao sabor ferrugem da dele. Mais amargo, estou ciente, mas ainda meu preferido. Não escolhido, se fosse opcional eu me manteria saudável. Fruta é saudável, é degustável. Sangue não. Sangrar exije cortes, dor. Mas são cortes seus, a língua é minha, a boca é sua! E por que a faca atinge a mim?
terça-feira, 21 de abril de 2009
18
Era a noite. A já ansiada antes, chegando ferozmente delirante. Foi-se um copo e com ele a lucidez, não só a minha mas a de todas. Todos. Como se dedos imundos pudessem alterar a velocidade dos meus ponteiros mentais, ela foi embora como um vulto, assim como ele. Pois naquele esperado enoitecer, uma bomba de mentiras, descrença e volúpia fez com que o chão abrisse, mas vocês permaneceram em pé. alguns não. alguns eu, alguns tu. A minha boca sangrou, e a dele secou enquanto meu pulso era fortemente segurado. Dois olhos não bastaram para tamanha mágoa, e no dia seguinte... ah, no dia seguinte: choveu.
sábado, 11 de abril de 2009
17
Minha esposa dúvida transformou-se em implícita. Antes o que me faltava eram respostas, agora o vazio se chama crença. É tão fácil penetrar seus olhos fundos e encontrar uma inocência imaculada, acompanhada da carga de 10 tonéis já costumeira. Por todas as vezes que lançastes aquele olhar que me consome e quando perto de mim sua respiração ofega, a fé em ti ancora-se e me preenche. Me sobe desde os pés e transborda pela boca, que te beija e clama, rogando pela verdade pura que então enxergo. Mas quando te vais, levas junto minha convicção. Tuas atitudes são sujas e infames, modificado longe de mim, recriando assim nosso ex-futuro. São fábulas suas, moreno, trapaças enlameadas de areia, simulacros bem disfarçados em seu sorriso retangular. E tristemente eu as reconheço, ainda esperando que sejam devaneios meus; e não patranhas saindo de teus dentes, os mesmos que me machucam de prazer cego. Não iluda-se achando que a iludida sou eu; sou ladina, canino. Juras falsas de amor não me tocam, só tangibilidade significará a tua-nossa vitória.
domingo, 29 de março de 2009
16
Depois de uma dúzia de paragrafos e 2 garrafas de vodka, me ganha o ímpeto de tornar publicas as minhas maledicências. Gangorrra e gangrena, esquecer de respirar nunca foi tão costumeiro. Se não isso, seu inverso: a sensação de que meu pulmões deviam ser maiores. Agonia em essência, entubada. Não existem flores suficientes para o bem-me-quer meu. Pra onde foram as pistas, que me assolavam diariamente, sussurrando meu modo certo de agir, decretando fatos enlaçados pelo destino? Minha concentração morta, meus princípios afetados. E meus valores, intactos? Honestamente, tais altercações me incomodam deveras mais do que deveriam. Eu só queria solucionar a interrogação, queria ao menos saber a pergunta que vem antes desta. Uma cadeia de incógnitas, um mar vasto de hesitações e dubiedades, penúrias e tormentos, densidades. Tantos vazios me pungindo que quase me enchem. Me deixe saber se vou ou se fico, me informe, é de ti que aguardo uma réplica! Eu quero, e essa é a carta mais errante já escrita, moreno.
domingo, 8 de março de 2009
15
Quis os dois. Dane-se, nenhum dos ditos me tem comando. Nenhum 'não' chegou até mim. Nem uma advertência sequer alertou-me da possibilidade de erro. Erro não sucedido aliás... Mais uma vez, tudo conspirou ao mais conveniente. Até mesmo posso me sentir apaixonada, mas minha paleta é meu xodó. Meu albúm de figurinhas, meu catálogo. Ah, como eu o adoro! Nada supera o poder da escolha, o gostinho de história que fica na boca, a arte de iludir e ser iludida (ou fingir).
E eu optei pela variedade. Olho ao redor e vejo mil coisas que me interessam, me chamam desesperadamente! Venha para mim, para cá, para dentro, venha aqui: e eu te aceito, ó convite tentador. Desejo mais, mais, mais, o tempo inteiro mais, mais intenso cego doloroso lindo e quente. E nem sei informar outrem se almejo parar em breve... É a minha diversão, minha condição. Deep inside eu só quero uma coisa, um ser só que me faz inteiramente feliz, mas meus sentidos me traem, indignamente, irriquietamente. Duplicar é viciante, e eu adoro doses duplas.
E eu optei pela variedade. Olho ao redor e vejo mil coisas que me interessam, me chamam desesperadamente! Venha para mim, para cá, para dentro, venha aqui: e eu te aceito, ó convite tentador. Desejo mais, mais, mais, o tempo inteiro mais, mais intenso cego doloroso lindo e quente. E nem sei informar outrem se almejo parar em breve... É a minha diversão, minha condição. Deep inside eu só quero uma coisa, um ser só que me faz inteiramente feliz, mas meus sentidos me traem, indignamente, irriquietamente. Duplicar é viciante, e eu adoro doses duplas.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
14
Estive fechada. Por durável período, cerrei as portas e janelas de mim. Simplesmente determinei que a claridade não mais habitaria meu eu, quis reclusão, quis confinar-me, quis estar só. E consegui todas essas coisas estúpidas que almejei. Ah, como dói a solidão, se sentir um passarinho, presa em suas próprias grades. Já é costumeiro de mim, criar falsos impedimentos, tecer as teias onde eu mesma caio, cadear minhas algemas. Mas esse episódio teve um gosto mais amargo: o do meu veneno. Máscaras, fingimento, simulacros, dissimulação, hipocrisia, disfarçes, fachadas, mais máscaras! É tão difícil reobter sua essência. Mas aqui estou (with arms wide open) preparada e expectante, nunca tanto auspiciosa, arrebentando minhas amarras, esperando a luz chegar. Antes tarde do que nunca, eu digo: ano novo... vida nova
terça-feira, 4 de novembro de 2008
13
Um veneno me escorre aos cantos da boca, maldição, maldito, maldizer-te. Não sei te querer o bem, não sei se te quero o mal, ou se só te quero, procurando um pouco de luz na neblina, quebrando tijolos com os dentes, me vestindo para o espelho, me pompando pra ninguém. Cansei de tantos nãos duros e de tantos sim penosos, eu quero paz para a minha mente, eu quero paz para o meu corpo, eu quero paz.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
terça-feira, 28 de outubro de 2008
11
Na janela, a chuva fustiga e brinca, eu sorrio triste. É a mescla da dor infantil e tua proximidade, fusão de crises e idéias tortas. Mas então aos poucos se afasta, com toda esta fulgacidade, escorre feito areia, maldito inconsistente. Estou pronta! Abrirei um varadouro até tua porta, nada coeso ou bem planejado, simplesmente focada em chegar. Enunciação, que tal? I'm all over you, I'm not over you.
desconsiderem esse post idiota, ele será deletado em muito breve
desconsiderem esse post idiota, ele será deletado em muito breve
domingo, 19 de outubro de 2008
10
Alucinações. lindas, sujas, rasas e puras, castas e enigmáticas, uma obra de arte. Quando consigo abrir meus olhos além eu vejo um turbilhão, uma massa densa de informações que me tomam o fôlego do pensar. Pigmentadas em cores inexistentes, surreais, MORRI DE DESESPERO AO VER TEU NOME NAS PAREDES, insanamente, tomando meus sentidos o cheiro da tinta fresca, instintos de sobrevivência, me agarrar a um pilar de lama, me afogar em areia movediça. É um grito de socorro mas não espero por resgate, eu quero o fim do labirinto, eu anseio e não sei o motivo. Me perder no teu aroma, anos gastos e linhas tortas, trocas de tiros. Me acompanhar num caminho uno, sem o menor nexo, o cúmulo da insensatez! Estranho, te quero.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
9
00:00 ao longe um relógio da 12 badaladas, o silêncio é funebre e gentil. A fatiga me despe e me acusa, a dose me eleva e lá estou, em um brilho opaco. Sinto a luz amarelada me ninando, quase um carinho. O cheiro amadeirado, os olhos pesando, aflição e paz mescladas em perfeita harmonia. Na boca, um gosto amargo, do café e bebida, pesares e o desejo de sentir na mesma um mais quente sabor, o seu. Ao mesmo tempo o que me parecia terminado agora é visto ao longe mas não menos cobiçado, é ira. E sou bem afortunada por ter meus fiéis ao redor, culpados de minha alegria! A diversão só para quando eu digo e eu não ouso dizer. Me vejo num futuro repleto de risadas longas, ao som de Cássia, pés descalços e calças largas, plenitude. A ânsia me engole, me devora de pedaço em pedaço, e eu sem reclamar, até me parece gosto, e quem dirá que não? Aperte o play.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
8
Mesmo enxergando o nada, mesmo atirando no escuro, eu sei é certeiro, preciso e inexato você. Eu vejo como árdua a tarefa de preencher os vãos que tuas pegadas deixam, mas gratificada fico em ter a erudição do teu caminho. E logo a graça caíra, a beleza murchará, a vontade cessará, mas dessa história eu quero o desfecho. É a conclusão da penúria e tormento, sem escapatória, engolindo a cobiça como um doce. Alívio expectante, Fúria curada, Fim da linha, Xeque-Mate.
domingo, 5 de outubro de 2008
7
Malhar em ferro frio é como eu faço, impaciência. A esperança que espero é a compartilhada, e não a dividida. Extremidades frias, garganta quente, um sol de gelo se derrete aos meus olhos e a água suja me escorre entre os dedos. Se o caos fosse de terra feito, soterrada estaria. Meros entretenimentos passageiros, eu quero mais. A boca seca pede a chuva, descarrega em mim sua ânsia. Pervasivamente eu amo, só não sei a quem. Loucos, carne e trilhos, te desejo para a prateleira, da vida eu clamo por uma variedade rotineira jamais vista. O despertar é molesto mas o sono compensa; tênue noite que sejas ruidosa, morena tez que sejas minha.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
6
Desmorona burlescamente o castelo de sal que construí com o pensamento, se torna menos fictício e mais presente e mais ausente. Ele gaguejou, a vibração pesada que senti a 2 palmos de distância, como que com medo estivesse, quem me dera. Olhares; trocados, desencontrados, ignorados, quentes. Estou a poucos passos de arrebentar as amarras do temer e jogar-me de braços bem abertos nessa sutil tentação que delicia os instantes sóbrios do imaginar. Quero que cada gole de saliva minha me lembre do que vale. Que cada pedaço de minha pele arda para refrescar a memória das mãos. Que minhas costas doam porque muito me curvei. Dos peões eu já dei conta, um bispo e dois cavalos, xeque.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
5
Como posso me infectar com um mal que já vem medicado? Como agir com frieza quando já morri de febre? Como posso ser as próprias vozes da minha cabeça? derreti, rendição e surrealismo, o vil e o belo são um par perfeito. Eu quero, eu quero e quero tanto sentir até a última gota, que doa, que sangre, que fira, mas que me toque. Quero que venham os querubins e anunciem a chegada de um novo jeito de sujeitar-me as condolências de outrem, então! Eu só me canso energicamente de toda a intensidade, mas autenticamente ainda quero mais veemência, mais tesão, mais fervor. E eu sei dele e do tamanho das barreiras de vento que eu mesmo crio, por isso tenho a solvência: entrega.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
4
Ou abafo ou desabafo.. estou cansada, porém vitoriosa. Até minhas unhas canário pedem repouso, mas por dentro eu vibro. Dentro da turbina de coisas que acontecem na minha mente eu encontro uma que me diz que eu posso, e hoje eu posso. Fugir, gritar, conquistar, voar, ceder, perdoar, sentir, falar, calar, sorrir, ter e estar (e isso soa melhor em mim). O tempo me parece intenso demais para ser vivido, mas cada milésimo faz tudo valer. É a boa nova da estação molhada que oleia as engrenagens do mundo e me afia a atenção para a percepção dos pequenos deliciosos detalhes dos meus dias um tanto ocos e transbordados. E vamos abafar.
domingo, 28 de setembro de 2008
3
Eu não queria parecer amarga de início pois assim não sou, pelo contrário prezo a doçura... mas a angustia anda me corroendo aos poucos, e a ânsia de viver coisas que almejo me dói na garganta e me deixa tonta. O sentimento de que a gritar até a loucura é a solução mais sensata pra essa sofreguidão me acompanha desde que me foi tirado o direito de ser aquela que rejeita. Se eu soubesse do tamanho da vontade que sentiria depois da degustação dele, aquele nome seria riscado da lista imediatamente. A minha lista quer seguir e eu quero ir com ela, eu odeio ser interrompida e pela primeira vez o receio assola minha nuca e me deixa tensa. Eu penso comigo o quão estúpida é a situação e o quão estúpida estou sendo, se sempre fui contra! E talvez seja até psicológico pois sinto que tenho meios para me livrar do problema mas eu agarrei-o, literalmente.
Assinar:
Postagens (Atom)